Apesar de obrigatória por lei, a presença de farmacêuticos nas farmácias e drogarias nem sempre é cumprida. No âmbito dos municípios, cabe às Vigilâncias Sanitárias estadual e municipal e ao Conselho de Farmácia coordenar e executar a assistência farmacêutica, fiscalizando e punindo os casos de descumprimento da lei. Mesmo assim, freqüentemente têm ocorrido irregularidades. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado do Maranhão (Sincofarma), Benilton Gonçalves, denuncia esta e outras irregularidades que ocorrem nas farmácias de São Luís, onde 63,17% dos estabelecimentos não prestam assistência farmacêutica aos clientes.
Em todo o Maranhão, há mais de 4.000 farmácias. Destas, 332 funcionam em São Luís, de acordo com levantamento da Vigilância Sanitária Estadual. Entretanto, a Junta Comercial do Estado do Maranhão (Jucema) tem 512 estabelecimentos do tipo registrados. Essa divergência de dados, segundo Benilton Gonçalves, seria em virtude de haver farmácias funcionando sem o alvará da Vigilância Sanitária. Uma fiscalização realizada em outubro e novembro do ano passado, pela Vigilância Sanitária Estadual, constatou que 63,17% dos estabelecimentos não têm um profissional responsável.
Em 2000, em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Sincofarma, as Vigilâncias Sanitárias municipal e estadual, o Conselho Regional de Farmácia (CRF), o Sindicato dos Farmacêuticos, o Ministério Público Federal no Maranhão e o Procon se comprometem em garantir assistência farmacêutica em todos os estabelecimentos do tipo no estado. Por causa da demanda insuficiente de farmacêuticos, o TAC foi reformulado em maio de 2009 para garantir assistência em tempo integral nas farmácias da capital. Entretanto, o Sincofarma afirma que os farmacêuticos descumprem o acordo firmado. "Os farmacêuticos não cumprem seus horários de expediente nos estabelecimentos, dando prioridade a outras atividades profissionais que desenvolvem, como a atuação em órgãos como as vigilâncias sanitárias, laboratórios, hospitais, distribuidoras de medicamentos e o CRF, que deveria fiscalizar e punir estes profissionais, atua de forma conivente", denuncia Benilton Gonçalves.
Liberdade - Segundo o presidente do Sincofarma, os farmacêuticos têm liberdade de escolher os horários em que querem trabalhar nas farmácias, adequando-os à sua rotina profissional, acontece que muitos informam horários irregulares ou inexistentes, valendo-se da falta de rigor na fiscalização. "Tudo funciona da seguinte forma. Por exemplo: uma determinada farmácia atende das 8h às 22h, mas quando é expedido o certificado de prestação de assistência farmacêutica, o profissional responsável informa que trabalhará de 15h às 23h, mas não cumpre essa rotina e não sofre qualquer sanção. A irregularidade já começa com a definição do horário de expediente, até as 23h, quando o estabelecimento fecha às 22h", exemplifica Gonçalves. Ele afirma que esta rotina é comum nas farmácias da capital.
Outro agravante é a demanda insuficiente de profissionais habilitados em relação ao número de estabelecimentos. "O CRF-MA tem 2.020 profissionais registrados e o Maranhão mais de 4.000 farmácias, e nem todos os profissionais registrados estão disponíveis de fato para a prestação desse tipo de serviço, pois muitos já se aposentaram ou não podem exercer esse tipo de função por prerrogativas legais", informou Gonçalves.
O presidente do Sincofarma alertou que a ausência da assistência farmacêutica acaba contribuindo para a realização de outras práticas ilegais nas farmácias maranhenses. "O farmacêutico é o responsável pela dispensação dos remédios, ou seja, é ele que cuidam do recebimento, conferência, venda, prescrição, além de orientar sobre a posologia do medicamento [uso]. Sem a realização desse trabalho, muitos estabelecimentos vendem medicamentos sem registro, contrabandeados, irregulares, sem a exigência obrigatória da receita médica no caso dos tarja vermelha e preta e até mesmo a venda fracionada de medicamentos que não têm liberação legal para tanto. A presença do farmacêutico ajudaria a coibir essas situações", afirmou.